Áreas de atuação - DST/HIV/AIDS

 

DONOVANOSE

Introdução

A donovanose foi descrita pela primeira vez na Índia (1882) como "úlcera serpiginosa". A donovanose é uma inflamação progressiva da pele e do tecido celular subcutâneo das regiões genital e anal. Embora a doença seja considerada DST, já foi documentada a transmissão não-venérea. O diagnóstico é baseado em dados clínicos e na demonstração de "corpúsculos de Donovan" intracelulares em preparações de células e tecidos. Esses corpúsculos geralmente não são vistos em coloração especial. Essa exigência poderia ser parcialmente responsável pela baixa incidência e pela pobreza de informações relativas a essa doença. Uma vez estabelecido o diagnóstico, o tratamento usualmente é simples e eficaz. O agente etiológico é o Calymmatobacterium granulomatis, um cocobacilo Gram-negativo, não-móvel, asporogênico e encapsulado. É classificado em um gênero provisório associado com a família En-terobacteriaceae. É cultivado somente em condições microaerófilas e anaeróbicas. Não cresce em meios comuns de cultura, simples ou complexos.

Epidemiologia

A donovanose é encontrada particularmente na região tropical e subtropical, sendo mais comum na Índia, no Brasil, nas Índias Ocidentais, na Nova Guiné e na Austrália, tendo surgido como causa menor de ulceração genital em regiões do sul da África. A notificação de casos é incompleta em algumas regiões e inexistente em outras.

Manifestações Clínicas

A donovanose é uma infecção aguda ou crônica que se manifesta por lesões ulceradas e necróticas de pele e subcutâneo, na região anogenital. Na maioria dos pacientes o período entre a exposição e o aparecimento da lesão é entre 7 e 30 dias. A lesão inicial é uma pequena pápula que erode a superfície cutânea, formando úlceras com crescimento progressivo. As lesões são semelhantes no sexo masculino e feminino. As lesões tardias são formadas por tecido de granulação hipertrófico endurecido, encarnado e aveludado. As lesões são na face interna dos grandes lábios e da fúrcula vaginal. A lesão progride por extensão na pele adjacente e frequentemente se espalha por auto-inoculação ou disseminação sistêmica linfática.







Em mulheres é comum o edema maciço dos grandes lábios. Os vasos linfáticos ficam muito dilatados e sem obstrução, pois o corante injetado nos tecidos alcança rapidamente os linfonodos regionais Na donovanose, incluindo a forma extensa, não há aumento, dor, e sensibilidade dos gânglios linfáticos. A ausência de linfadenopatia é uma característica diagnóstica, embora possa haver linfadenopatia inguinal por infecção secundária. As lesões inguinais da donovanose são caracterizadas por massas endurecidas ou abscessos flutuantes que finalmente drenam e se transformam em úlceras. São chamadas "pseudobubões" porque representam tecido de granulação subcutâneo e não são gânglios linfáticos aumentados de volume. As lesões maciças e destrutivas podem ser erroneamente diagnosticadas como malignas. Nesses casos há necessidade da combinação de biópsia e citologia para descartar tumor maligno. As lesões regridem e desaparecem com o tratamento adequado. Em geral a resposta do tratamento é bastante satisfatório, mas em casos de lesões de grande duração pode haver deformidades genitais tais como hipopigmentação cutânea, estenose da uretra, da vagina e do orifício anal e edema maciço. Lesões extragenitais foram descritas na face, no pescoço, na boca e na garganta. Foram relatados casos de lesões metastáticas ósseas, asticulares e viscerais, com lesões uterinas ou cervicais associadas; alguns tinham história de gravidez ou cirurgia prévia. Não há evidências de transmissão congênita dessa doença.

Tratamento

O tratamento de escolha é tetraciclina (500mg VO quatro vezes do dia), doxiciclina (100mg VO quatro vezes ao dia) ou eritromicina base ou estearato (500mg VO quatro vezes do dia), durante no mínino 2-3 semanas, até que as lesões tenham regredido completamente. A doença tende a recidivar após o tratamento, sendo necessário o seguimento a longo prazo. em casos graves qualquer dos esquemas acima pode ser suplementado por estreptomicina (1g IM duas vezes ao dia por 10 dias). A combinação de lincomicina e eritromicina é satisfatória para o tratamento de pacientes grávidas. A penicilina é ineficaz e a ampicilina apresenta resultados inconsistentes.

Fonte: Atlas de Doenças Sexualmente Transmissíveis - Segunda Edição Stephen A Morse Adele A Moreland King K Holmes

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