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PADRONIZAÇÃO DA CONDUTA CLÍNICA E TERAPÊUTICA EM PACIENTES COM HEPATOPATIA CRÔNICA 1. ASCITE O acúmulo de líquido na cavidade peritoneal é a forma mais freqüente de descompensação do paciente com hepatopatia crônica. A ascite quando volumosa, pode provocar dificuldades respiratórias e precipitar o sangramento pelas varizes esofágicas. Portanto, todo paciente com quadro de ascite volumosa, deverá ser internado para tratamento, cuja conduta consiste basicamente de quatro fases, a seguir: Fase I – Após a internação do paciente e enquanto se fazem os exames propedêuticos, para melhor avaliação do caso, mantém-se o paciente apenas com dieta assódica e restrição hídrica. Esta dieta deve conter um limite máximo de sódio de 40 mEq por dia, como composição intrínseca dos alimentos, e a ingesta líquida global é limitada em 1.000 ml nas 24 horas. Em caso de ascite muito volumosa, com distúrbios mecânicos dificultando a respiração, faz-se paracentese alívio, retirando-se dois a três litros de líquido ascítico. Durante esta fase, assim como nas subsequentes, verifica-se todas as manhãs, antes do desjejum, o peso dos pacientes, anotando-se também a diurese das 24 horas. Através destes dois parâmetros é possível avaliar se a internação, o repouso relativo, o afastamento de agentes tóxicos como álcool, a regularização dos hábitos alimentares com restrição sódica e hídrica conseguem, de per si, melhorar o quadro clínico através de aumento da diurese e perda de peso. Aguarda-se o início de resposta satisfatória por um período de cinco a sete dias. Os exames complementares realizados neste período consta no item 1.2, sendo que as dobagens de uréia, cretiniza e ionizaram são realizadas duas vezes pôr semana durante todo o tratamento e proteínas totais e frações seqüencialmente, conforme necessário. Caso ocorra resposta satisfatória, mantém-se o paciente neste esquema até a resolução completa de ascite. Não havendo diminuição de peso e aumento de diurese após cinco a sete dias de observação, passa-se para a fase seguinte, quando se inicia a administração de diuréticos.
a) Sangue:
b) Fezes
c) Líquido ascítico
d) Urina:
e) Raio X
Fase II – Administra-se espironolactona na dose de 150 mg/dia, durante período mínimo de seis dias. Caso ocorra aumento da diurese e perda de peso satisfatória (mínimo de 300g ao dia), mantém-se o paciente neste esquema. Se não ocorrer resposta terapêutica, passa-se para a fase seguinte. Fase III – A dose de dose de espironolactona é aumentada para 300 mg/dia e aguarda-se resposta satisfatória por período mínimo de quatro dias. Caso haja finalmente a resposta esperada, nesta fase do tratamento, a dose de diuréticos é mantida até resolução completa da ascite. Se o paciente continuar sem perder peso, segue-se para a fase seguinte. Fase IV – Mantendo-se a prescrição anterior de dieta assódica, restrição hídrica e 300 mg de espironolactona, associa-se furosemide por via oral, na dose de 40 mg/dia. Após dois dias de observação, não havendo resposta, dobra-se a dose de furosemide para 80 mg/dia. RECOMENDAÇÕES Se não for observada resposta terapêutica após este esquema de doses crescentes e posterior associação de diuréticos, o paciente é considerado refratário ao tratamento usual, devendo ser submetido ao tratamento de exceção. É importante frisar que, paralelamente a este tratamento diurético, administrar albumina humana EV, na dose de 20 g/dia durante três dias seguidos, sempre que a albumina plasmática estiver igual ou inferior a 2,5g%. Durante todo o tratamento, o paciente é questionado e eventualmente vigiado quanto à possibilidade de estar ingerindo alimentos que contenham sal, sendo alertado e tomadas providências para que a dieta seja rigorosamente cumprida. O esquema terapêutico é suspenso caso ocorram complicações, como encefalopatia hepática, hemorragia digestiva, etc. Após redução, volta-se ao esquema interrompido.
Define-se como refratária a presença de ascite não responsiva ao repouso e a dieta com 500 mg de sódio/24 horas, associada ao uso de 400 mg de Espirolactona e 80 mg de Furosemida por dia ou severa presente em pacientes que desenvolveram complicações graves, mesmo em vigência de doses maiores de diuréticos. Considera-se como recidivante o desenvolvimento de pelo menos três episódios de ascite em nove meses, em vigências de tratamento adequado com diuréticos e dieta hipossódica.
Internação do paciente em caso de tratamento ambulatorial (não responsivo), ou quando internado e não apresentar resultados satisfatórios em todas as fases de tratamento (fases I a IV). Submeter os pacientes a paracentese diagnosticada, excluindo os pacientes com Peritonite bacteriana espontânea (observar item 3). Verificar antes da paracentese total, os seguintes parâmetros clínicos e laboratoriais:
A drenagem será feita no Centro Cirúrgico, registrando o volume drenado e o tempo despendido. Administrar 6g de Albumina humana por litro de líquido ascítico drenado, a uma velocidade de 40 gts/min., iniciando-se a infusão logo após o início da retirada do fluído ascítico. Após a drenagem, o paciente deverá retornar à Enfermaria. No 3º dia pós-drenagem, reiniciar esquema diurético, com Espirolactona 200 mg dia, dividido em duas doses. 2. PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEAA peritonite bacteriana espontânea (PBE) vem a ser infecção do fluído da ascite, sem haver um foco intra-abdominal aparente causal de infecção. A PBE apresenta variantes, e os seguintes critérios são utilizados para o diagnóstico: Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)
Ascite Neutrofílica (AN)
Bacterioascite (BA)
Caracterização Clínica As formas clínicas de apresentação são muito variáveis, contudo os seguintes sinais e sintomas podem ser observados nos pacientes com hepatopatia crônica.
Diagnóstico (conduta)
Tratamento Inicialmente a antibióticoterapia é empírica e a posteriori, se procederá o tratamento da PBE, segundo a(s) cepa(s) isolada(s). Enquanto se aguarda o resultado do exame bacteriológico, inicia-se o tratamento com Cefalosporina de 3ª geração, exemplo:
Nestes pacientes, deverá ser iniciado albumina humana na dosagem de 1,5g por Kg no 1º dia e 1,0 g por Kg no 3º dia, sempre associado a Cefotaxima ou Ceftriaxona. Tal conduta é aplicada, como preventivo de Insuficiência Renal Aguda.
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