FMTAM difunde sistema de vigilância em febre amarela para municípios
do interior do Estado
Infectologista informa que a Fundação desenvolve exames
de diagnóstico da doença em pacientes que apresentam sintomas
de hepatite e febre
Em meio à mais recente preocupação nacional na
área da Saúde, a febre amarela, que vem registrando uma
série de casos na região central do país desde
janeiro, a Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM)
destaca-se como instituição de referência no diagnóstico,
tratamento e pesquisa desta e de outras doenças endêmicas.
O hospital informa que vem realizando, desde 2003, exames para detectar
a ocorrência de febre amarela em pacientes que aparentemente podem
estar com hepatites ou outras doenças que deixem a pessoa com
quadro de febre e pele amarelada. É o Sistema de Vigilância
Sindrômica em Casos de Febre com Icterícia e Hemorragia,
que deve ser expandido para mais oito municípios do interior
amazonense ainda este ano, a partir da recém-aprovação
do projeto pela Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Amazonas (Fapeam).
Segundo
a médica infectologista e pesquisadora em virologia da FMTAM,
Maria Paula Mourão, o sistema tem o objetivo de fazer o diagnóstico
precoce de febre amarela para que diminuam os casos fatais da doença
no Estado. "A maioria dos pacientes que chegam à Fundação
com febre amarela está em estágio avançado da doença,
muitas vezes fatal. Isso ocorre porque, no início da manifestação
da febre amarela, o indivíduo apresenta sintomas semelhantes
a várias doenças, como dor de cabeça e no corpo,
por exemplo, e não há maiores preocupações
para identificar a doença exata", revela.
Nos
últimos quatro anos, a média é de dois a quatro
casos, por ano, de pessoas que chegam em estado grave de febre amarela
à FMTAM. A Fundação espera que triplique o índice
de suspeição dos casos, aumentando a quantidade de exames
realizados anualmente, que hoje está na faixa dos 10. "Além
disso, já realizamos treinamentos sobre esse tipo de abordagem
nos municípios de Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira
e Atalaia do Norte, que apresentam histórico de morte por hepatite
e que são fronteira com outros países", afirma. Os
oito novos municípios que deverão ser visitados pelos
médicos da FMTAM, em parceria com a Fundação de
Vigilância em Saúde (FVS), ainda serão definidos.
Com
a idéia de difundir o pensamento de suspeição de
febre amarela para antecipar o diagnóstico, a FMTAM também
colocará à disposição desses municípios
todo o aparato técnico de que dispõe. Na prática,
médicos do interior do Amazonas, além de receber orientações
sobre abordagem dos pacientes, serão incentivados a solicitar
os exames com a certeza de que serão plenamente analisados nos
laboratórios de referência da FMTAM.
O homem e o vetor
No Brasil, quem adquire a febre amarela pode pertencer a dois grupos.
No primeiro estão aquelas pessoas que trabalham em áreas
de floresta e no outro as que entram nesse tipo de ambiente acidentalmente.
Para a infectologista Maria Paula Mourão, chega a ser controversa
a liberdade que os brasileiros têm para viajar de uma cidade onde
não há risco de contaminação pelo vírus
para outra em que há esse risco. "Se você sai do país
para qualquer outro, vão pedir o comprovante de vacinação.
Quando você volta, também pedem. Mas, dentro do Brasil
não há essa preocupação", diz.
O
mosquito que mais transmite a febre amarela atualmente é o Haemagogus.
Existe outra espécie, também silvestre, que é o
Sabethes, com menor incidência. Ao contrário do que o surto
do início de 2008 provocou nas regiões centrais do país,
o mosquito da dengue, o Aedes aegypti, não é responsável
por transmitir o vírus amarílico atualmente. "Há
mais de 60 anos não há registro de casos de febre amarela
urbana, transmitida pelo Ae. aegypti. Por alguma razão, ele deixou
de transmiti-la. O risco de que isso ocorra novamente existe, mas é
pequeno", enfatiza a médica Maria Paula, afirmando que maior
risco corre a pessoa que adentra em áreas de floresta sem estar
vacinado, se colocando entre o mosquito de selva e o macaco, de quem
se alimenta.
Vacina: a prevenção que nunca é demais
A médica e pesquisadora da FMTAM, Maria Paula Mourão,
garante que uma epidemia de febre amarela é algo improvável
entre os amazonenses, uma vez que há mais de 20 anos a vacina
contra a doença faz parte do calendário de vacinas da
população. "Isso foi uma determinação
do Ministério da Saúde, que tornou obrigatória
a aplicação da vacina em regiões de mata atlântica
e na região amazônica", informa. Segundo ela, 90%
da população está imune ao vírus da febre
amarela.
A vacina contra a febre amarela está presente em todos os postos
de saúde, é gratuita e tem validade por 10 anos. Contudo,
como não acarreta efeitos colaterais, o indivíduo que
porventura tenha tomado a vacina, mas esquecido de quando a tomou ou
perdeu a carteira de vacinação, pode receber nova aplicação.