Pesquisa da FMT mostra incidência de malária em mulheres
grávidas no AM
Estudo realizado pela Fundação de Medicina Tropical do
Amazonas (FMT-AM) revelou que a malária atinge de forma mais
grave e freqüente as mulheres gestantes e os bebês. Com financiamento
da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas
(FAPEAM) e do CNPq, a FMT-AM monitorou 450 grávidas com malária
durante um ano e seis meses, para avaliar os efeitos da doença
durante a gestação tanto para a mulher quanto para o feto.
Deste total, 30% apresentaram mais de uma vez os sintomas da malária.
Este número de reincidência é considerado alto se
comparado com o índice de malária que atinge as mulheres
que não estão grávidas, diz a médica especialista
em doenças infecciosas e parasitárias e PhD em Medicina
Tropical , Flor Martinez, da Gerência de Malária da FMT.
Segundo ela, as próprias condições da gravidez,
que limita o uso de certos medicamentos antimaláricos, favorecem
o aparecimento da doença nas gestantes. "Elas ficam mais
vulneráveis", afirma.
A malária em mulheres grávidas pode causar a morte do
bebê se não for diagnosticada e tratada de forma adequada.
Mesmo que o bebê sobreviva, a doença pode trazer conseqüências
graves ao recém-nascido, como o parto prematuro, o baixo peso
ao nascer e o crescimento intra-uterino retardado, problemas associados
à maior freqüência de doenças e maior mortalidade
durante o primeiro ano de vida.
Em torno de 80% dos casos pesquisados mostraram que os infectados com
a doença são provenientes de áreas urbanas e peri-urbanas
de Manaus. Os números que constam do levantamento inédito
são uma base para conhecer a realidade de contaminação
por malária nos últimos dez anos.
Flor Martinez destaca que a melhor forma de se diagnosticar a malária
na gravidez é por meio do exame conhecido como gota espessa (pesquisa
de plasmódio). Há uma portaria do Ministério da
Saúde que torna obrigatório este exame em mulheres gestantes,
mas os testes são freqüentemente ignorados nos postos de
saúde, salienta a médica da FMT-AM.
O tratamento da doença é feito por meio de medicamentos
que são aplicados depois de analisados alguns critérios
como o período da gravidez, a espécie da malária
e a gravidade da doença. Em vários casos, há a
necessidade de internação da paciente.
Entre os principais sintomas da malária estão a febre,
dor de cabeça e calafrios. Além destes, a doença
preocupa no período de gravidez porque pode causar também
sangramento vaginal e contração uterina.
Cuidados para não pegar doenças infecto-contagiosas
A médica Flor Martinez alerta ainda para o fato de que as mulheres
grávidas estão expostas a pegar com maior facilidade doenças
infecciosas que requerem cuidados especiais como a toxoplasmose, o citomegalovírus,
a rubéola, a sífilis, a gonorréia e o vírus
HIV. "Todas estas doenças têm uma repercussão
maior na gravidez porque atingem o feto sendo responsáveis, inclusive,
pela má formação deles", explica.
Para a obtenção de um quadro mais detalhado sobre o avanço
destas doenças em mulheres grávidas, a médica comanda
desde março de 2007 um levantamento sobre estes casos em gestantes
que procuram atendimento na FMT-AM para realizarem os exames de rotina
do Pré-natal. O término da pesquisa, que conta com o financiamento
do Ministério da Saúde e apoio da Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura (Unesco), está previsto para o mês de setembro
deste ano.
Cada uma destas doenças tem um modo específico de transmissão,
podendo esta ocorrer via relações sexuais, picada de mosquito,
ingestão de alimentos crus ou contaminados com fezes de gato
e até mesmo por contato com a saliva. "Estas últimas
são as mais difíceis de serem prevenidas, excetuando a
rubéola para a qual existe vacina. A mulher grávida precisa
ter uma vida protegida", enfatiza.
A toxoplasmose é uma zoonose de distribuição mundial.
É uma doença infecciosa, congênita ou adquirida,
causada pelo protozoário Toxoplasma gondii.
Ocorre em animais de estimação e produção
incluindo suínos, caprinos, aves, animais silvestres, cães,
gatos e a maioria dos vertebrados terrestres homeotérmicos (
bovinos, suínos, cabras etc). Acarreta abortos e nascimento de
fetos mal formados.
A prevenção é feita por meio de um exame sorológico
que deve ser realizado antes da gestação para ver se a
mulher tem possibilidade de contrair a doença. Em caso positivo,
durante a gestação a mulher deverá deixar de comer
carne crua ou mal passada e evitar o contato com a terra infectada com
as fezes de gato.
Já o citomegalovírus é um herpes-vírus que
pode causar infecção no homem , no macaco e em roedores
. No caso específico do homem, produz a doença de inclusão
citomegálica. Tem sido encontrado em indivíduos com tumores
benignos ou malignos e em portadores de Aids. Não há prevenção
para a doença, mas sim alguns cuidados que precisam ser observados
como evitar o contato com a saliva de alguém infectado.
A rubéola é uma doença causada pelo vírus
da rubéola e transmitida por via respiratória. É
uma doença geralmente benigna, mas que pode causar malformações
no embrião em mulheres grávidas. Portanto, a rubéola
só é grave em gestantes. A mulher precisa se vacinar contra
a doença três meses antes de engravidar. Seu diagnóstico
clínico é difícil por semelhança dos sintomas
com os dos outros exantemas (doenças que deixam manchas vermelhas
na pele).
A sífilis, a gonorréia e o vírus HIV são
Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) que podem ser
evitadas com o uso de preservativos.