Assessoria de Imprensa


FMTAM treina pesquisadores para testes de substâncias naturais contra a malária

A Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM) deu início nesta quarta-feira (20) ao curso de Quimioterapia Antimalárica, destinado a pesquisadores da própria instituição, do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), além de graduandos e mestrandos de Medicina. O treinamento é mais um passo que a FMTAM dá para encontrar drogas que combatam a malária a partir de substâncias extraídas da natureza. As aulas teóricas acontecem no Auditório "Dr.Wilson e Graça Alecrim" na FMTAM, na avenida Pedro Teixeira, das 9h às 17h. O curso se estende até o dia 3 de março.

Para ministrar o curso foi convidado o biólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Valter Ferreira Neto, que está mostrando como estabelecer protocolos que permitam validar os procedimentos da pesquisa. "Isso vai permitir que sejam contempladas todas as necessidades de testes laboratoriais sobre a eficácia destas substâncias em seres vivos, bem como as possibilidades de efeitos colaterais", explica o Doutor em Biofísica e um dos coordenadores do curso, Pedro Paulo Vieira, pesquisador da Gerência de Malária da FMTAM e responsável pelo treinamento juntamente com o Dr Adrian Pohlit, do INPA.

Entre os assuntos abordados estão a apresentação e discussão de artigos científicos sobre a busca de novos antimaláricos; técnica e modelo experimental in vivo, ou seja, usando seres vivos como os camundongos; noções básicas acerca de absorção, distribuição, eliminação de medicamentos e os aspectos imunológicos.

Desde 2000 o grupo de pesquisa da FMTAM vem se consolidando neste assunto e pesquisando na natureza, sobretudo em plantas amazônicas, substâncias que apresentem o caráter antimalárico para a criação de novos medicamentos para o tratamento da doença. Uma substância foi descoberta ainda em 2007 com excelentes resultados in vitro no combate ao plasmódio. "Ainda não podemos divulgar o nome da substância, nem da planta, em função de questões de patentes", comenta Vieira.

Com o treinamento, os pesquisadores passarão para a fase de testes em camundongos para saber tentar estabelecer relações entre a aniquilação do agente da malária e o hospedeiro, isto é, o homem. Os estudos existem e devem ser aprimorados com os conhecimentos de protocolos de validação das pesquisas para saber se a molécula descoberta é tóxica ou segura, para o organismo mais complexos, chamados de superiores, como animais e o ser humano, por exemplo. "Por isso, é importante ter a parceria que temos com o CBA e com o INPA, a fim de que avancem cada vez mais essas pesquisas", diz Vieira.

O treinamento realizado na FMTAM deve consolidar os recursos humanos que vão continuar trabalhando nesta área, como o mestrando em Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Luis Francisco, e o veterinário Jean Samoneck. Todo esse esforço contribuirá para a consolidação de FMTAM como centro de referencia para testes e desenvolvimento de produtos medicamentosos a partir de substâncias naturais.

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