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Campanha contra auto-medicação é lançada no Dia do Infectologista, nesta sexta-feira

DATA LEMBRA O PIONEIRO EMÍLIO RIBAS

Uma área de estudos e profissionalização complexa para tratar de doenças comuns. Assim pode ser definida a Infectologia, cujo especialista, o médico, é o homenageado nesta sexta-feira (11), pelo Dia Nacional do Infectologista. É esta especialidade da Medicina que atua nos casos de doenças infecciosas ocasionadas por microorganismos, como vírus e bactérias.

De acordo com o infectologista da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT-AM), Eucides Batista, também presidente regional da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) no Amazonas, a data será marcada pelo lançamento da campanha "Antibiótico necessita de prescrição médica", na qual os médicos ligados à SBI estarão esclarecendo e alertando os pacientes sobre os riscos da automedicação e do uso inadequado de antibióticos.

Segundo Eucides Batista, os antibióticos devem ser prescritos por um profissional médico e, de acordo com a lei, vendidos somente com receita. A prescrição do antibiótico pelo médico é realizada quando o diagnóstico da infecção é confirmado ou suspeito, seja por meio de exame clínico, laboratorial ou investigação epidemiológica.

O uso indiscriminado de antibióticos pode levar à resistência por parte das bactérias, ou seja, elas podem tornar-se resistentes aos antibióticos prescritos, fazendo com que a infecção não seja tratada. Hoje em dia as infecções causadas por bactérias resistentes são cada vez mais freqüentes não somente nos hospitais, mas também no ambiente domiciliar. "A auto-medicação de antibióticos, que são vendidos em farmácias sem receita médica, é uma das principais causas do cenário atual de infecções resistentes. Por isso, ao sinal de sintomas de qualquer tipo de infecção, o paciente deve procurar o médico, pois só ele pode dar a orientação correta quanto ao tipo e ao tempo de uso deste medicamento", afirma Eucides Batista.

Segundo o especialista, a procura por esta área de formação ainda é pequena, mas a classe vem se organizando para estimular os graduandos e residentes em Medicina a buscar este mercado. "A FMT-AM, por exemplo, tem o programa de residência em Infectologia e já formou desde 1984 mais de 50 médicos especialistas", afirma.

Entre outras medidas, os profissionais de Infectologia vêm buscando como incentivo para o aumento da demanda na área a interação com órgãos públicos para a realização de concurso para a especialidade, cujo campo de trabalho precisa ser melhor preenchido. "Somente há pouco tempo, uns 5 anos, vêm sendo destinadas vagas para o segmento. Mas, a pouca procura deve-se ao fato de que a maioria considera as especialidades de consultório, como cirurgia plástica e radiologia, mais rentáveis", diz.

Segundo o médico, o mercado de trabalho do infectologista pode ser dividido em dois campos básicos. O primeiro é atuar em comissões de Controle de Infecções Hospitalares e o outro é relacionado ao controle do uso de antimicrobianos, mais conhecidos como antibióticos. "Trata-se de um profissional com conhecimento diversificado que vai além da clínica médica e cobre aspectos da epidemiologia, da imunologia, do diagnóstico, do tratamento e da prevenção dos processos infecciosos quer sejam eles causados por vírus, bactérias, fungos, protozoários ou outro microorganismo", explica Eucides. Portanto, o tratamento de doenças como a Aids, malária, hepatites, leishmanioses e viroses como a dengue é de competência do infectologista.

Eucides Batista dá a dica para que a população procure preferencialmente um infectologista nesses casos. Isso porque as infecções quase sempre acometem um determinado órgão, como rim, fígado e outros. Embora muitos profissionais especializados naquele determinado órgão estejam capacitados a resolver o problema, algumas vezes podem não ser especialistas no tratamento da infecção do órgão.

Sobre a data

A criação de uma data em homenagem aos médicos infectologistas atende decisão da Assembléia Geral da SBI realizada em novembro de 2005 durante o XIV Congresso Brasileiro de Infectologia, referendada posteriormente na reunião do Conselho Deliberativo da Sociedade ocorrida em janeiro de 2006, em São Paulo. O dia escolhido é em homenagem ao nascimento do médico Emílio Ribas, um dos pioneiros da Infectologia no Brasil.


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Izenilda Farias
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