Assessoria de Imprensa

Pólo de Biotecnologia vai revolucionar

O Pólo de Biotecnologia que começa a ser efetivado no Amazonas, a partir da implantação do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), previsto para ser inaugurado no mês de junho, poderá revolucionar a indústria local e gerar faturamento igual ou superior à Zona Franca de Manaus num prazo de seis a dez anos. A estimativa é do farmacêutico bioquímico, Evandro Silva, diretor da empresa Pronatus da Amazônia, que já desenvolve produtos à base de plantas regionais.

De acordo com o bioquímico, cerca de 300 plantas da biodiversidade amazônica podem ser utilizadas de imediato, tanto no aspecto nutra-cêutico quanto no fitoterápico ou fitofármaco e fitocosmético. Para ele, este potencial será plenamente alcançado a partir do Pólo de Biotecnologia que o Governo do Amazonas, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e o apoio de empresas e instituições públicas e privadas estão desenvolvendo.

Para desenvolver este processo, o Governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), instituiu uma comissão especial da qual Evandro Silva é membro integrante para elaborar o projeto da política de biotecnologia do Amazonas, que vai estabelecer as diretrizes para a execução dessa política e a estratégia de ação a ser desenvolvida.

O Centro de Biotecnologia da Amazônia é o primeiro passo para a implantação desse pólo em Manaus. O CBA terá laboratórios equipados para desenvolver pesquisas científicas e identificar as matérias primas da biodiversidade regional com interesse econômico.

Para o diretor da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT), Wilson Duarte Alecrim, a biotecnologia é um campo da Ciência moderna que trabalha com a engenharia genética - para a identificação do gens - que serão estudados para que se possa entender a sua configuração a partir desse conhecimento, identificar a sua constituição genética para que elas possam ser alteradas ou não com finalidades médicas, sociais e, fundamentalmente, econômicas.

Genomas

Alecrim destacou que a matéria prima para a biotecnologia é um serviço que atende desde o homem até a uma simples bactéria ou um vírus. Antes da biotecnologia, os técnicos se preocupavam com o todo. "Com a biotecnologia, este serviço deverá ser estudado não como um todo, mas a sua constituição genética em si. Com o estudo temos como saber o porque e como o gens estão formados. Esta é a aplicabilidade prática da biotecnologia. Num contexto mundial, ela está associada à identificação e ao estudo dos genomas - o conjunto de gens - para depois saber o que se vai trabalhar.

De acordo com Alecrim, a primeira idéia que se trabalha em todo o mundo, são as doenças hereditárias, que tem uma profunda vinculação com a saúde da pessoa, ou seja, nós podemos utilizar a alteração genética para evitar doenças que são transmitidas geneticamente de pais para filhos ou dentro da árvore genealógica. Ao se descobrir a codificação genética que vai levar à proliferação de uma doença, faz-se a alteração dessa codificação é evitar-se que a doença apareça nos descendentes.

Revolução biotecnológica

A outra idéia, segundo o médico, é a do ponto de vista industrial e econômico. "Podemos Ter os microorganismos, principalmente as bactérias, para que possam, através do processo de fermentação, levar a produtos industrializados". Os economistas e as pessoas que acompanham esse desenvolvimento científico e tecnológico na área industrial, acreditam que essa era industrial, que produz o que temos nas fábricas de hoje, está chegando ao fim. A partir da biotecnologia, deveremos entrar em uma nova era, a da "revolução biotecnológica".

Na visão do diretor da FMT, a indústria dessa nova era será completamente diferente das atuais. Dessa forma, teremos uma outra base industrial, uma outra base tecnológica onde estarão presentes a biotecnologia e o conhecimento genético dos seres vivos.

Alecrim disse que nesse processo a primeira providência é ter conhecimento da biodiversidade amazônica, identificá-la, coletar nela o que existe de interesse para o estudo biotecnológico, para depois projetar um papel industrial assemelhado ao do Distrito Industrial de hoje, mas com uma configuração diferente, com máquinas de fermentação, micro organismos e seres vivos.

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