| Assessoria de Imprensa |
Ao contrário do que diz o relatório da Funasa sobre o desempenho do Amazonas no combate às endemias, a FMT afirma que os dados não refletem a realidade
O relatório divulgado pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), com base em dados de 1999 e 2000, indicando o Amazonas como um dos estados brasileiros de pior desempenho no controle e combate a doenças endêmicas como dengue, malária e meningite, não deve despertar preocupação. De acordo com a Fundação de Medicina Tropical (FMT) e a própria coordenação regional da Funasa, os dados já estão ultrapassados e não fefletem a atual realidade.
O diretor do departamento de ensino e pesquisa da FMT, Marcus Guerra, explica que a demora da Funasa em divulgar estudos mais atuais ocorre porque a Instituição precisa coletar informações de mais de 6 mil municípios. "Nem todas as cidades dispõem de equipamentos de informática para enviar seus dados, o que acaba retardando a compilação", diz Guerra.
A informação é confirmada pelo coordenador regional da Funasa, Luiz Belém. Segundo ele, a elaboração do relatório de avaliação do controle epidemiológico no Brasil é um trabalho muito complexo, que só é divulgado depois que todas as informações referentes ao ano em análise são obtidas. "Por isso há tanta demora. Mas o Amazonas pode ficar tranquilo porque o nosso quadro atual de controle e combate a doenças endêmicas é bastante positivo", avalia.
O epidemiologista da Funasa, Humberto Polaro, acrescenta que em 1999, o Amazonas ocupava o penúltimo lugar no controle de endemias, mas em 2000 houve uma grande melhora. "Em 1999, o Amazonas só conseguiu atingir 29,3% da meta estabelecida pelo Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), mas em 2000 conseguiu atingir 39,57% e em 2001 os resultados deverão ser mais positivos ainda", estima.
Polaro afirma que o departamento de vigilância epidemiológica da Funasa/AM fez uma projeção de que em 2002 o Amazonas deverá alcançar 40% a 45% da meta. "Isso quer dizer que estamos melhorando as ações de vigilância epidemiológica e consequentemente as ações de controle de endemias, pois, tivemos os melhores resultados do Brasil em 2001", comemora Polaro.
Marcus Guerra acrescenta que os dados de 2001 e dos primeiros quatro meses de 2002 comprovam os avanços. Segundo ele, em 1999 o controle de endemias era precário porque a atividade estava passando por período de transferência de operacionalização para o Estado e os municípios.
"Só para dar um exemplo, em 1999 tivemos 167.722 casos de malária, em 2001, o número caiu para 48.386 casos e estimamos que em 2002, os casos de malária não passarão de 30 mil", divulga Guerra.
Ele ressalta que o mesmo avanço no controle aconteceu cvom o dengue, pois, enquanto no primeiro trimestre de 2001, foram registrados 7.044 casos, apenas 720 ocorrências de dengue foram notificadas de janeiro a 20 de abril de 2002. O mesmo ocorreu com a meningite que em 2001, apresentou o menor índice dos últimos cinco anos, menos de 200 casos.
"Isto se deve à reorganização das políticas de controle que ocorre após a transferência para o Estado. Houve um processo de capacitação de recursos para diagnóstico e tratamento, além do investimento em equipamentos, que possibilitou a ampliação da rede de diagnóstico", assegura Guerra.