| Assessoria de Imprensa |
Passados quase quatro anos desde que aconteceu o primeiro caso de dengue em Manaus, o amazonense pode se considerar um privilegiado com relação à doença, em comparação com outras unidades da Federação. Se em outros Estados o Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus, tem feito um grande estrago, aqui ele está passando quase despercebido.
Em 2001 o número de casos de dengue registrados nos meses de janeiro e fevereiro ultrapassou a casa dos 14 mil, este ano, não chegou a 250, "o que faz com que tenhamos a epidemia, praticamente, sob controle", alegra-se o diretor da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT/AM), Wilson Alecrim.
Segundo dados apresentados pelo diretor da FMT, em 1998, quando a dengue surgiu em Manaus, foram registrados 32 mil casos. No ano seguinte o número caiu para 9,5 mil casos, reduzindo ainda mais em 2000, quando foram registrados cinco mil casos de dengue. Em 2001, devido ao aumento dos sorotipos 1 e 2, do vírus da dengue e também um pouco de descontrole no programa de combate à doença, houve um acréscimo substancial, num total de 19 mil casos no ano.
Este ano, além de terem sido intensificados os trabalhos de controle da dengue, com o aumento das equipes em campo, as campanhas de conscientização da população também foram mais diretas. O programa de controle da dengue tem a participação das três esferas de governo, federal, estadual e municipal, mas é coordenado e executado pelo governo do Estado, através da Secretaria de Saúde e da FMT. A Fundação Nacional da Saúde (FUNASA) é uma das parceiras no trabalho, colaborando na parte técnica e financeira.
Este ano, em Manaus, não foi registrado nenhum caso de dengue hemorrágica, ao contrário do ano passado quando em janeiro, fevereiro e março foram registrados 56 casos, com um óbito. A dengue hemorrágica ocorre, segundo Alecrim, quando há mais de um sorotipo flutuando na região, mas apesar de em Manaus existirem dois, essa modalidade da doença ainda não se manifestou.
"O que há de diferente aqui, com relação aos outros Estados, é que podemos dizer que estamos com a doença sob controle e já estamos saindo do paríodo mais crítico. Se cruzarmos março e abril sem aumento no número de casos, podemos dizer que os nossos esforços valeram a pena", dis Alecrim.
A população, por sua vez, tem que continuar colaborando, principalmente no sentido de não deixar expostos recipientes e vasilhames que sirvam de criadouros para o mosquito Aedes aegypti.
Wilson Alecrim alerta à população que apesar do controle que está sendo feito, é preciso continuar vigilante e ao suspeitar da doença, o paciente deve procurar a unidade de saúde mais próxima de sua residência.
Os sintomas da dengue são febre, dor de cabeça, dor no corpo, perda de apetite, dor nos olhos e, em 40% dos casos, a ocorrência de manchas avermelhadas, semelhantes ao sarampo, espalhadas pelo corpo.
O diretor da Fundação lembra que outra doença está voltando ao que pode ser considerado um quadro normal, a meningite meningocócica. Com mais de 30 casos registrados em janeiro e fevereiro e um total de cinco óbitos, a expectativa é de que este mês sejam apenas oito os pacientes com a doença.
Fonte: Jornal Amazonas em Tempo - 07/03/2002 - Página B2