Assessoria de Imprensa
Tipo 3 ameaça Estado 

O diretor em exercício da Fundação de Medicina Tropical (FMT), Marcus Guerra, afirma que em Tabatinga - a 1.105 quilômetros em linha reta de Manaus - existe a presença do mosquito "Aedes albopicurus". "O inseto transmite a dengue tipo 3, principalmente nos continentes asiático e africano", informa o médico.

Os sintomas da dengue transmitida pelo albopicurus são os mesmos que o da doença transmitida pelo Aedes aegypt: febre, dor de cabeça, dor nos olhos, músculos e náuseas. "Aqui ele é um transmissor secundário, não é o responsável por epidemias", acrescenta.

O médico afirma que em Tabatinga a Secretaria Estadual de Saúde (SUSAM) detecta casos de dengue e coleta material para o diagnóstico. "Esse diagnóstico pode ser feito através do isolamento do vírus ou de exame sorológico", explica.

Segundo Guerra, no mês de fevereiro foi detectada a dengue nos municípios de Manacapuru, Iranduba, Autazes e ao longo da rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista). "Em alguns casos a pessos foi de Manaus para o interior já doente", informa.

Ele destaca que a capital é mais vulnerável à doença por causa da concentração de pessoas. "Também foi o local onde o Aedes aegypt primeiramente se estabeleceu", acrescenta.

No município de Tabatinga, ele afirma que existem pessoas treinadas para detectar a doença, serviço médico do Exército e Secretaria Municipal de Saúde de Tabatinga.

"Brevemente a SUSAM montará 14 laboratórios para exame de doenças tropicais no Estado, inclusive em Tabatinga", informa.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) se unirá à SUSAM para manter barreira contra a dengue em Tabatinga. Ontem, o pesquisador Wanderlei Tadei deveria viajar para o município que fica na fronteira com Letícia, na Colômbia. "Foram localizados casos clássicos da doença, e por isso vamos ficar até conseguir equacionar o problema, pois é uma região de fronteira com Letícia, cidade onde ocorre o sorotipo 3", diz.

Wanderlei é o responsável pelo laboratório de malária e dengue do Inpa, composto por quatro pesquisadores e sete técnicos. "Já estamos recebendo amostras do mosquito de Tabatinga para pesquisas. Vou na frente para verificar a situação e, dependendo da necessidade, irão outros em seguida", informa.

O trabalho pretende impedir a chegada do sorotipo 3 do vírus da dengue no Amazonas. "O Estado está em uma situação privilegiada pois por enquanto por aqui só circulam o vírus 1 e 2", considera. Ele explica que a ação preventiva é necessária porque Tabatinga e Letícia são cidades contínuas. "Fica uma do lado da outra", observa.

Barreira

A SUSAM também faz barreira contra o vírus na fronteira do Amazonas com Roraima, Estado vizinho onde desde novembro de 2001 foi identificado o vírus 3 da dengue. Um agravante é que Roraima faz fronteira com a Venezuela que enfrenta uma epidemia de dengue, inclusive com o registro dos tipos 3 e 4 da doença.

"O risco é que com mais um vírus circulando possam aparecer casos de dengue hemorrágica que infecta quem já teve os outros tipos da doença. Como o fluxo de carros entre Roraima e Manaus é grande, a possibilidade de chegar uma pessoa na capital amazonense infectada com o vírus 3 não é remoto", considera o médico.

O trabalho de prevenção da dengue realizado pelo Governo nas barreiras e em Manaus apresenta resultados positivos. As estatísticas alcançadas pelo Amazonas no combate a doença têm sido exemplo para todo o País. A epidemia começou em março de 1998 com o registro de 23.910 casos. Esse número diminuiu para 9.653 no ano seguinte, e depois para 4.826 em 2000. No ano passado a doença sssustou novamente com 9.063 casos, incluindo uma morte por dengue hemorrágica.

Até março desse ano, a FMT registrou 489 casos da doença, uma diminuição significativa em relação aos três primeiros meses do ano passado: 7.044 notificações. "Os três primeiros meses são os mais vulneráveis por causa da chuva", avalia Guerra.

Estado monta barreira contra dengue tipo 3

A identificação do mosquito aedes albopicurus em Tabatinga confirmada pelo diretor em exercício da Fundação de Medicina Tropical (FMT), levou o Estado a aumentar suas barreiras sanitárias. É que esse mosquito transmite a dengue tipo 3, que ainda não chegou à capital amazonense. Os sintomas da dengue transmitida pelo albopicurus são os mesmos que o da doença transmitida pelo aedes aegypti

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