| Assessoria de Imprensa |
Subnotificações ou combate eficaz? O baixíssimo número de casos de dengue notificados em janeiro deste ano no Amazonas - apenas 26 contra 7 mil no ano passado - é vista com desconfiança pela população. Muitos achgam que as ocorrências não estã sendo registradas nos hospitais e centros de saúde porque muita gente já conhece os sintomas e as formas de tratamento. Outros apostam que o combate rigoroso ao mosquito Aedes aegypti e à sua larva está mesmo dando resultados.
O fato é que enquanto todo o Brasil sofre com a doença e grandes Estados, como o rio de Janeiro e São Paulo, desencadeiam uma verdadeira guerra contra a dengue, o Amazonas desfruta de uma posição confortável. "Mas estamos em alerta. Não estamos livres de uma epidemia já que Estados vizinhos, como Roraima, estão com um grande número de casos", avisa Wilson Alecrim, diretor da Fundação de Medicina Tropical (FMT).
Ele descarta a possibilidade de estar havendo uma subnotificação dos casos da doença. A justificativa é que com uma exposição na mídia tão grande da dengue e de suas vítimas, a lógica seria acontecer exatamente o contrário. "A tendência natural seria as pessoas buscarem mais ainda os postos de saúde e os hospitais, alarmados com a dengue. O que não ocorreu. Por isso não acreditamos em subnotificação", garante Alecrim.
Para o aposentado Raimundo da Silva, 63, morador do Cidade Nova, Zona Norte, a lógica não se aplica. Desde o sábado passado ele começou a sentir dores no corpo, na cabeça, febre alta e constante e náuseas. Relutante em ir ao médico, ele decidiu ficar em casa. A suspeita: dengue. O tratamento: dipirona e, em casa, dado pela filha Eliete Araújo, 28. De acordo com ela, o pai é evangélico e acredita na cura por meio da fé.
"Nós não o levamos no posto de saúde porque ele se recusou, nem queria tomar remédio", conta Eliete. Segundo ela, há dois dias Raimundo melhorou, teve a febre reduzida e as dores também. Em casa ela garante que não há focos do mosquito transmissor da doença, mas conta que o irmão afirma ter matado um Aedes aegypti em pleno vôo.
Na primeira epidemia, pelo menos oito das nove pessoas que residem na casa de Eliete contraíram dengue, inclusive ela. Dessa vez, apenas o pai esteve sob suspeita da doença. Ela disse também não ter conhecimento de nenhum caso na sua vizinhança.
Se depender da força-tarefa, a dengue no Amazonas deverá ficar mesmo em baixos patamares. Somente na capital são 654 agentes de saúde, além de outros 320 espalhados pelos municípios do interior. A meta para cada agente é percorrer 20 imóveis por dia - casas, apartamentos, terrenos e empresas -, totalizando 360 mil este ano, como informou o gerente de controle e Combate a Endemias da Secretaria Estadual de Saúde (SUSAM), Nailton Lopes.
Com um kit que inclui biolarvicida e inseticida, os agentes percorrem local por local, verificando possíveis locais de procriação das larvas do Aedes aegypti e coletando amostras de mosquitos. Além disso, eles orientam os proprietários dos locais ou a pessoa que for encontrada sobre as medidas de prevenção e combate à dengue. "A população é nossa grande aliada e a principal arma no combate à doença", salienta Nailton Lopes. Ele explica que a aplicação do inseticida tem sido usada como uma ação complementar. "O grande componente no combate à dengue é a mobilização da sociedade, que precisa cuidar do espaço onde vive para não ser contaminada nem contaminar."
Fonte: Jornal A Crítica - 24/02/2002 - Página C3