| Assessoria de Imprensa |
PARIS (AFP) - A epidemia de Aids, que já matou em 20 anos mais de 20 milhões de pessoas no mundo inteiro, "está apenas no começo" e pode provocar a morte precoce de mais de 68 milhões até 2020, advertiu Peter Piot, diretor-executivo da Onuaids dedicado à luta contra a doença. "Mas a epidemia está apenas no começo. Sabíamos disso em relação à Ásia e à Ex-União Soviética. Além disso, não há nenhum sinal de recuo nos países mais atingidos, isto quer dizer, os da África", declarou à AFP o médico Piot. "Em países gravemente afetados, como Zinbábue, um terço dos adultos são soropositivos. Antes, era um quarto deles", acrescentou Piot, quando foi divulgado nesta terça-feira no informe sobre a epidemia do HIV-Aids 2002. "A epidemia continua. Inclusive no Sulf a África, onde é mais grave, não parece chegar a um limite máximo natural" e alcança níveis antes inimagináveis", explicou o algo funcionário. "É assustador. É a maior epidemia que a humanidade já conheceu", acrescentou. "Nos 45 países mais afetados, se a resposta à Aids não for intensificada, 68 milhões vão morrer de Aids até 2020", disse. "O Sul da África é a região que terá o maior número de baixas, 55 milhões", segundo a Onuaids. A Aids na Ásia, continente onde ficam os países mais povoados do mundo, Índia e China, é como uma bomba prestes a explodir. A ex-União Soviética se encontra de frente com uma epidemia galopante. Enquanto isso, os países ricos parecem ter baixado a guarda com a chegada da triterapia em 1996, que fez muita gente acreditar que a Aids tinha acabado", explica Piot. Mais de 60 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV desde a descoberta da doença há vinte anos. A maioria dos 40 milhões delas que sobreviveram morreriam se não recebessam tratamento.
Brasil é elogiado
O relatório da Unaids (órgão da ONU para a Aids) divulgado ontem cita o Brasil como exemplo de país que encontrou formas eficazes de lidar com a epidemia da doença. "O Brasil permenece sendo um importante exemplo de integração de assistência médica abrangente com um compromisso renovado para com a prevenção", diz a ONU. Segundo a Unaids, o número de mortes por Aids em 2000 no Brasil é um terço do de 1996. Os principais fatores para essa redução, de acordo com o relatório, são uma decisão judicial de 1996 que obriga o Estado a fornecer remédios de combate ao HIV gratuitamente e o fato de o número de novas infecções ter sido mais baixo do que o previsto há dez anos. A ONU elogia a política do governo brasileiro de dar acesso a medicamentos antiretrovirais (que reduzem a expansão da infecção dentro do corpo) à população, apontando que os gastos com remédios compensam a economia em assistência médica. O relatório cita especificamente a fabricação de genéricos no Brasil, na Índia e na Tailândia como um fator positivo. A Unaids também cita o Brasil como uma exceção dentro da tendência mundial de pessoas financiarem seu próprio tratamento contra a doença. No país, apenas 6% dos gastos totais com a Aids são feitos pelos próprios doentes.
Fonte: Jornal a Crítica - Página A12 - 03/07/2002