| Assessoria de Imprensa |
Uma nova forma de hepatite, que acomete principalmente obesos, diabéticos e pacientes com dislipidemia (aumento dos lipídios, colesterol total e triglicerídios), se tornou foco de atenção dos especialistas em hepatologia (doenças do fígado). A hepatite crônica gordurosa não alcoólica (esteato-hepatite), se não for diagnosticada em tempo, tratada ou controlada, pode evoluir para cirrose hepática.
De acordo com o pesquisador da Fundação de Medicina Tropical - FMT, José Carlos Ferraz da Fonseca, 8% a 26 % dos pacientes portadores desta doença desenvolvem a cirrose hepática. Estima-se que 3% da população mundial seja portadora desta nova doença, ou seja, aproximadamente 180 milhões de pessoas.
Entre o portadores, mais de 70% são obesos, mais de 75% são diabéticos e 20% a 80% dos pacientes têm dislipidemia. Isso não significa dizer que todas as pessoas obesas, que tenham altas taxas de gordura no sangue e os diabéticos vão desenvolver a doença. "A princípio não, pois vários estudos sugerem que o desenvolvimento desta doença estaria relacionado a problemas genéticos. O que queremos é alertar parte da população que pertence a esses grupos de risco a procurar orientação médica", diz o pesquisador.
Outros fatores comuns aos portadores desse tipo de hepatite, consideradas como causas secundárias, são a cirurgia para emagrecimento (tratamento de obesidade mórbida), exposição crônica a produtos químicos, o uso de drogas como o corticóide, estrógeno sintético e outras drogas tóxicas para o fígado. A hepatite gordurosa não alcoólica acomete crianças acima dos 10 anos de idade, como também adultos situados na faixa etária entre 20 e 60 anos. O sexo feminino é o mais comprometido (60% a 80%) e mulheres diabéticas com idade superior a 50 anos teriam um maior risco de desenvolver tal doença.
Nos Estados Unidos, onde mais de 15% da população em geral é obesa, e 2,5% da população tem obesidade mórbida, a hepatite crônica gordurosa não alcóolica acomete 7% a 9% dos americanos, preocupando e muito as autoridades de saúde. Estima-se que aproximadamente 3,5% das crianças e adolescentes americanos sejam portadoras da hepatite gordurosa crônica não alcoólica.
Diagnóstico
Na maioria dos casos essa hepatite é assintomática, ou seja, grande parte dos pacientes não sente qualquer problema. Por outro lado, alguns pacientes queixam-se de um leve desconforto (sensação de peso) no lado direito do abdome, em geral abaixo das costelas.
Normalmente a doença é diagnosticada quando o paciente realiza exame clínico e laboratorial de rotina. No exame clínico, 70% a 90% dos pacientes apresentam fígado crescido (hepatomegalia), sendo este considerado o dado clínico mais freqüente. Nos exames de sangue laboratoriais, todos os pacientes apresentam provas de função hepática elevadas (aminotransferases). Uma grande parte dos indivíduos apresenta dislipidemia.
Como o diagnóstico dessa doença só é confirmado após a exclusão de outras causas determinantes, é necessário a realização de vários exames laboratoriais. O exame ultrasonográfico, de acordo com José Carlos Ferraz, apenas informa o grau de acúmulo de gordura no fígado, mas para um diagnóstico correto para a confirmação da doença é necessário a realização de uma biópsia do fígado, servindo inclusive para saber o estágio da doença.
Não existe, até o presente momento, uma medicação capaz de curar a doença. O pesquisador explica que o uso experimental de várias drogas não demonstrou resultados conclusivos. Por enquanto, a melhora do quadro clínico (redução do tamanho do fígado) e laboratorial (normalização das aminotransferases) estaria baseada no controle da obesidade mediante a redução do peso, o controle do diabetes e das taxas de gordura no sangue.