| Assessoria de Imprensa |
Uma média de seis novos casos de leishmaniose por dia foram registrados em Manaus nos dois primeiros meses do ano pela Fundação de Medicina Tropical (FMT/IMT-AM), totalizando 520 novos casos.
Em janeiro foram diagnosticados pelos epidemiologistas da fundação 306 doentes, enquanto em fevereiro ficou comprovada a existência da doença, conhecida como ferida brava ou úlcera de Bauru, em 215 pacientes segundo resultado dos exames laboratoriais realizados na FMT.
De acordo com o técnico em laboratório da entidade, Nélson Fé, um novo foco da doença surgiu em Caracaraí, no Estado de Roraima, para onde se deslocaram ontem alguns médicos e pesquisadores da FMT.
Segundo a médica e pesquisadora da fundação, Marcilene Gomes Paes, a maioria dos pacientes acometidos pela doença nos dois primeiros meses do ano, veio do Rio Preto da Eva, município com a maior incidência da doença nas estatísticas da FMT. Os demais doentes em fase de tratamento foram infectados na periferia de Manaus, e em áreas de floresta das Rodovias AM-010 (Manaus-Itacoatiara) e BR-174 (Manaus-Boa Vista, a capital do Estado de Roraima).
Ela explicou que a leishmaniose é uma doença parasitária de grande incidência no Amazonas, principalmente no período chuvoso, em que há uma grande evolução do número de casos no Estado. A pesquisadora explicou que a chuva, o desmatamento e a própria floresta são fatores propícios à transmissão da doença. O bairro de Santa Etelvina, na zona Norte de Manaus, é considerada uma área endêmica da doença na capital.
Diante do quadro evolutivo da leishmaniose cutânea no Amazonas, técnicos de laboratórios dos centros de saúde e serviços de Pronto Atendimento do Estado já estão sendo treinados e capacitados pela Superintendência de Saúde para a realização do primeiro atendimento aos pacientes suspeitos de terem adquirido a leishmaniose. Só na FMT, os pacientes recebem o exame no mesmo dia.
Marcilene explicou que hoje nem todos os centros de saúde da capital dispõem de capacidade resolutiva para a leishmaniose, ou seja, de equipamentos e profissionais para a realização de exames e comprovação da doença. "O resultado do exame é importante", disse a médica, uma vez que outras feridas podem ser confundidas com as provocadas pela evolução da leishmaniose