| Assessoria de Imprensa |
Primeiro Noaldo Lucena, 38, trocou Recife pela Suécia. Depois largou a carreira de infectologista na Suécia pelo Amazonas. Os milhares de quilômetros percorridos pelo médico começam a fazer sentido esta semana, com o ingresso no mestrado de Doenças Tropicais Infecciosas da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), um antigo sonho seu. "Sempre quis me especializar nessa área e tratar de casos desse tipo. O mestrado vai me realizar profissionalmente."
Ele é um dos 22 alunos que iniciaram ontem o curso e deverão concluí-lo em 18 meses. Para Noaldo, o mestrado irá ampliar seu universo de conhecimento e de trabalho. "O Amazonas carece de profissionais nessa área. Sinto isso no dia-a-dia, ao atender dezenas de pacientes com doenças tropicais", argumenta. O médico que trabalha na Fundação de Medicina Tropical (FMT) e como diretor técnico do Hospital Francisca Mendes reconhece a importância de ser um especialista nessa área, atuando na região onde o problema se concentra.
Ciente do que tem pela frente, já que a proposta do mestrado é formar médicos pesquisadores, Noaldo disse estar disposto a vencer esse desafio. "Quero fazer parte do grupo que irá pesquisar e encontrar tratamento para muitas doenças tropicais em uma região onde ainda há tanto a ser estudado", afirmou. O médico disse se sentir orgulhoso em fazer parte da primeira turma de mestrado nessa área no Amazonas. "É muito bom desbravar esse universo. Essa idéia de ser pioneiro e ter que enfrentar desafios me agrada e me incentiva."
Com Noaldo, mais 21 pessoas participam do curso. São 11 médicos e o restante da turma é formada por enfermeiros, bioquímicos e farmacêuticos. Em um ano e meio eles irão ter aulas práticas e teóricas na sede da FMT, resultado da parceria da UEA com a fundação.
Na aula inaugural do mestrado em Doenças Tropicais da UEA em parceria com a FMT, ministrada na tarde de ontem, no auditório da fundação, a vedete das palestra principal não poderia ter sido outra: a malária. A doença foi o tema central da explanação feita pelo diretor da FMT, Wilson Alecrim, que relatou todo o histórico da doença e a vitória sobre as epidemias ocorridas desde 1872 no Amazonas, com uma redução de mais de 70% nos casos de malária.
O índice deu mais notoriedade à FMT que se confirmou como centro de referência internacional em doenças tropicais. Um título do qual a UEA quer tirar proveito, de forma positiva, pelo menos foi o que declarou o reitor da universidade, Lourenço Braga.