| Assessoria de Imprensa |
Em alguns locais do Amazonas o índice de parasitoses intestinais encontradas na população é superior a 90%, detectou a Fundação de Medicina Tropical de Manaus (FMT).
É o caso da comunidade de Nossa Senhora de Fátima, na zona suburbana do Tarumãzinho, onde 99% das pessoas têm pelo menos um tipo de parasita. As mais comuns neste local são a lombriga - Ascaris lumbricoides - com 85,6% de incidência e da ameba - Endolimax nana - 85,3%. Falta de saneamento básico e de educação sanitária são os motivos encontrados pela fundação para disseminar a contaminação, que ocorre por meio de água suja de fezes.
Parasitose intestinal é qualquer processo inflamatório do tubo digestivo causado por algum parasito que pode ser patogênico ou não, explica o chefe do Departamento de Ensino e Pós-Graduação da FMT, o pesquisador Antônio Tavares, 54. Ele esclarece que as parasitoses podem acontecer por causa de dois grupos: helminto ou protozoário. "É mais comum encontrar um protozoário não patogênico como a ameba e um helminto patogênico como a lombriga", afirma.
Tavares, que também é doutor em Medicina Tropical, informa que a situação não é só preocupante em Manaus. "Cinqüenta por cento da população mundial possuem algum parasito." De um modo geral a contaminação por ameba ocorre com maior freqüência em população que habita a margem de rios de água preta, enquanto que a lombriga contamina mais quem habita próximo à água branca.
No Município de Novo Airão, por exemplo, 70% dos habitantes possuem ameba de acordo com um levantamento realizado pela fundação em 1997.
O chefe do departamento relata que dos 1.629 exames realizados neste Município, 95.6% tinham, no mínimo, um tipo de verme. Ele explica que nas várias visitas que fez ao interior o menor registro detectava 50% de parasitos. "É por isso que afirmo que em termos gerais metade dos manauenses têm um verme."
O número de casos de pessoas que chega à FMT apresentando lombriga nas fezes é baixo porque são mais facilmente tratadas em postos de saúde, enquanto que o registro de pacientes com amebas é sempre alto. "O tratamento para combater a lombriga é complexo." O problema passa pela questão socioeconômica, afirma o pesquisador. "O motivo é água e alimentos contaminados com fezes. "De acordo com ele, a população cresceu muito e não deu destino aos seus esgotos, que passam pelas sarjetas das ruas e até pelo meio delas." Em resumo, educação sanitária e saneamento básico são as causas principais de tanta gente contaminada.
"A maioria dos bairros não tem tratamento de esgoto e por isso são deslocados para as fossas que ficam a menos de 30 metros do poço de água devido ao tamanho dos terrenos", analisa Tavares, mencionando que a doença se transforma num ciclo vicioso. "A pessoa se trata e volta a se contaminar.
Fonte: Jornal A Crítica - 04/04/2002