A História

Vamos viajar nas águas calmas dos igarapés da Amazônia? Estamos na companhia do meu pai e do meu avô, por isso não temos o que temer.
Amiguinhos, nessas águas habitam contos e lendas e vocês sabem que onde há floresta, há mistério. Tem boto, tem onça, têm pássaros, tudo é lindo e maravilhoso.

- Vovô, hoje eu aprendi muito na escola!
- Que bom, estou orgulhoso da minha neta.
- Vovô, estou com frio.
- Eu também e tá ficando escuro,
anda rápido meu filho.
- Sim senhor, estou muito cansado
mas logo estaremos em casa.

Mesmo assim, o avô parece muito preocupado.

O avô continua preocupado pois há troncos de madeira boiando no rio, de repente, a voadeira bate, e com o solavanco o pai se
desequilibra e cai no rio.
O avô tenta salvá-lo mas não consegue alcançar sua mão.
A menina grita:

- Pai pai, meu Deus, o rio está levando meu pai!!! E agora?

A noite já havia chegado e a menina aflita continuou a chamar pelo pai. O avô, sem dificuldade, conduz o barco sem direção por mais de uma hora, mas o combustível está no fim. Logo percebem que estão perdidos e encostam a voadeira num barranco e os dois esperam por ajuda.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo choro de sua neta. Com frio, fome e perdidos na floresta, já haviam passado muito tempo fora de casa. A menina estava muito assustada, sem saber o que havia acontecido com o seu pai.

O avô lembrou da história de um menino muito esperto que se perdeu na floresta e encontrou uma comunidade. “mas ele ficou na comunidade para sempre, vovô?” “não, por sorte conseguiu achar o caminho de casa, minha neta.

O menino tinha entrado na floresta para brincar. Subiu nas árvores, ficou maravilhado com a beleza dos pássaros, riu das brincadeiras dos macacos, mas em seguida se deu conta que estava perdido na floresta. Avistou luzes entre as árvores, andando um pouco mais, chegou a uma comunidade onde foi muito bem recebido, deram a ele água e comida e o ajudaram a voltar para casa.

“Ah vovô, que historia legal! Deu tudo certo, então, vai dar tudo certo para gente também!”
Espera um pouco, estou vendo algo
lá atrás se mexendo, É O PAPAI!
Vamos vamos vovô, é papai!

Realmente, era o seu pai que tinha caído da voadeira, a menina e o seu avô foram em direção ao pescador.

O avô e a menina, foram até onde o pescador estava e o seguiram até uma pequena vila. O pescador dizia que havia encontrado este lugar quando estava perdido e seguia o ruído da voadeira e que não conhecia a comunidade. Mas chegando lá, ele conseguiu um lugar para os 3 passarem a noite. A menina achou tudo muito parecido com a história do menino perdido, que o avô tinha contado na voadeira, mas estava tão feliz de rever seu pai que esqueceu o assunto.

Eles passaram a noite em uma casa simples, mas muito limpa. As paredes não tinham furos e eram bem vedadas. As redes tinham cheiro de roupa lavada e as janelas tinham telas. Não se via nenhum animal dentro da casa, o chão era limpo, sem roupas espalhadas e não havia muitos carapanãs também. Eles estavam muito cansados e dormiram rapidamente.

Na manhã seguinte os 3 foram acordados pela dona da casa, que preparou um café da manhã delicioso e que tinha muitas outras comidas além daquelas que eles estavam acostumados. A senhora explicava que tudo era feito na própria comunidade. A menina ajudou a senhora a tirar a mesa e a levar seu papagaio para o puleiro que ficava do lado de fora da casa.

Eles então saíram para passear e descobriram que as pessoas eram muito saudáveis e felizes.
Perceberam que naquela vila, o lixo era coletado de maneira que não existiam latas, garrafas nem pneus espalhados. Perto do igarapé onde as pessoas nadavam tudo era limpo, sem garrafas nem sacos plásticos. As crianças nadavam felizes bem na frente da comunidade.

A vila era muito bonita. Os moradores se preocupavam em plantar árvores para fazer sombra além de terem muitas frutas. Várias casas tinham hortas de onde
podiam colher diversos legumes.
Muitas casas tinham um jardim, inclusive o Posto de Saúde.

O pescador e sua família ficaram muito satisfeitos ao verem que ali não faltava peixe na hora de almoçar.
A senhora falou também que os moradores só bebiam água do igarapé depois de filtrada e fervida e era essa água que usavam para cozinhar também.

Depois do almoço, os moradores da vila se despediram e emprestaram um pouco de combustível para que o pescador, a menina e seu avó pudessem voltar para a casa.

Assim, o pescador encontrou o caminho de volta para casa. Na volta, a menina falava parao seu avô que iria contar para todos os seus amigos tudo que havia visto e aprendido naquela comunidade nova que agora ela conhecia.