Programa de Pós-Graduação da FMT-HVD e UEA recebe nota máxima da Capes

Pontuação consolida o PPGMT como referência nacional em pesquisa e formação em Medicina Tropical na Amazônia
O Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical (PPGMT) do Estado, alcançou a nota máxima na avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O resultado consolida o programa, desenvolvido através da parceria entre a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), entre os mais qualificados do país.
De acordo com a secretária de Estado de Saúde (SES-AM), Nayara Maksoud, a nota máxima reafirma o protagonismo da FMT-HVD na produção científica de alto impacto nas áreas de doenças tropicais e infecciosas.
Criado em 2002, com a implantação do mestrado, e ampliado em 2006 com o doutorado acadêmico, o PPGMT tem como missão formar pesquisadores e docentes altamente qualificados, integrando pesquisa, ensino e assistência, vocação histórica da FMT-HVD, unidade da SES-AM.
Nesse período, foram titulados 332 doutores e 113 mestres. Atualmente, o programa conta com 46 alunos de mestrado, 60 de doutorado, 23 docentes permanentes, três colaboradores e dois professores visitantes. Segundo a diretora de Pesquisa da FMT-HVD e coordenadora do PPGMT, Gisely Cardoso, a conquista da nota máxima é resultado de um trabalho coletivo e planejado.
“O que contribuiu para esse conceito foi a colaboração conjunta de professores, alunos e da secretaria do programa. Houve uma valorização institucional muito importante, tanto pela UEA quanto pela Fundação de Medicina Tropical, além de um planejamento estratégico e uma autoavaliação criteriosa”, explica.
A avaliação da Capes, afirma, também reflete a qualidade da formação e da pesquisa desenvolvidas na região amazônica, frequentemente desafiada por desigualdades históricas no cenário científico nacional. “A nota recebida e as colaborações estabelecidas mostram que temos uma formação sólida. Nossos egressos são absorvidos pelo mercado de trabalho em diferentes instituições da região, do Brasil e até do exterior, o que reflete diretamente a qualidade da pesquisa que produzimos aqui”, destaca a doutora.
No quadriênio 2021–2024, os professores permanentes publicaram 414 artigos científicos, demonstrando elevada produtividade e impacto acadêmico. Parte dos docentes recebe bolsa de produtividade, concedidas por agências como Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam).
As pesquisas do programa estão organizadas em três grandes linhas: estudos pré-clínicos, clínicos e de validação de tecnologias para prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças tropicais e infecciosas; investigações sobre carga da doença, prognóstico e marcadores genéticos, imunológicos, sociais e econômicos; e estudos integrados sob a perspectiva da Saúde Única, considerando a interação entre humanos, animais, patógenos e meio ambiente, com foco especial no bioma amazônico.
Para Gisely Cardoso, embora a avaliação da Capes não atue diretamente sobre a assistência, os efeitos da pesquisa se refletem ao longo do tempo. “Os projetos desenvolvidos no programa contribuem para o estabelecimento de novas metodologias, informações e tratamentos. Essas evidências científicas ajudam a qualificar o cuidado prestado à população”, observa.
Outro destaque do PPGMT é sua forte inserção nacional e internacional. Dos 151 projetos de pesquisa desenvolvidos no quadriênio, 98,7% receberam algum tipo de financiamento, com recursos provenientes principalmente da Fapeam (42,9%), CNPq, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Ministério da Saúde, além de agências internacionais, como National Institutes of Health (NIH), Oxford University, Medicine for Malaria Venture e Valneva Austria GmbH. Aproximadamente 10% dos auxílios financeiros tiveram origem internacional, reforçando a internacionalização do programa e sua participação em projetos multicêntricos.